O kuripe é uma ferramenta em forma de V usado para se auto aplicar, que fornece uma conexão entre a própria boca e nariz. É um instrumento utilizado para aplicação da medicina Sagrada conhecida como Rapé.
E o Tepi (ou Tipi) é o tipo de aplicador original, em que uma pessoa sopra no nariz da outra o rapé. Ele pode ter uma única saída para a aplicação do rapé ser em uma narina por vez, ou pode ser duplo, com duas saídas indo nas duas narinas de uma vez em um único sopro.
Dentro da tradição indígena, não se “aspira” o rapé. Ele é sempre “soprado” por outra pessoa ou por quem vai tomar o rapé. Soprado para dentro das narinas através de um instrumento tipo um bambu oco, o Tipí, e aplicado por um pajé ou por outra pessoa e provoca uma forte reação nos mais inexperientes. Seu efeito é rápido e após isso sente-se um grande bem estar e disposição, fora a limpeza das vias aéreas, que ele proporciona. Relatam que o rapé se usa para esfriar o corpo, pois quando se trabalha muito debaixo do sol, ao ir tomar banho de água fria das cacimbas, pode-se pegar um resfriado, e é bom cheirar rapé antes. Além de estimulante, portanto, o rapé também faz baixar a pressão.
O rapé tem seu uso bastante difundido na região norte do Brasil. Os índios brasileiros o utilizam a séculos, mesmo antes da chegada dos europeus, de uma forma ritual, bem diferente do que se conhece hoje. Existem vários tipos de rapé,
várias formas de prepará-lo, e vários fins para utilizá-lo. Desde os rapés mais simples, usados como simples expectorantes; até rapés de extremo poder e força tais como Virola, Pariká, Yopo, etc. Considerados como enteógenos, colocando, dessa forma, o rapé no “hall” de plantas psicoativas utilizadas pelos índios das florestas brasileiras, o rapé, normalmente, tem como base o tabaco, e alguma outra substância, normalmente vegetal, mineral, ou até fungo (cogumelo). O rapé é uma medicina muito sagrada, utilizada durante pajelanças realizadas com Ayahuaska e defumações. Esse rapé tem uma alquimia simples, porém bastante interessante: sua base é o tabaco bem picado e pilado, e a mistura é a cinza da casca de uma árvore amazônica, que os índios Yawanawas chamam de Tsunu.
Esse rapé possui um alcaloide ativado pela combustão da casca de Tsunu durante a sua confecção, por isso as propriedades medicinais são intensas. Para os Yawanawas, o rapé, a mistura da cinza com tabaco, pode expulsar qualquer coisa ruim e maléfica que possa estar atrapalhando a vida da pessoa, agindo no ponto em que a pessoa necessita. Também temos informações de que esse alcaloide foi bastante utilizado eficazmente contra várias doenças tropicais. A casca de Tsunu, é considerada uma das 10 plantas medicinais brasileiras mais importantes, é empregada na medicina popular para tratar malária, impotência, má digestão, tontura, prisão de ventre e febres. Os primeiros registros científicos do uso do Pau-Pereira ou Tsunu em tratamentos médicos surgiram em teses da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e na Revista Médica Fluminense (1861-1923). Entre outras citações, aparece na primeira prescrição de banhos de ervas obtidas a partir do cozimento das cascas de Tsunu, do médico brasileiro Joaquim José da Silva (1791-1857) à escrava de sua irmã, que sofria de febres intermitentes. O relato menciona que a escrava foi curada no segundo dia de tratamento, resultado que estimulou o médico a continuar prescrevendo tais banhos para pacientes com febres.
O rapé é uma tradição cultural e espiritual dos povos Katukina, Yawanawá e de outras tribos da região. Ele é usado como consagração depois do trabalho, para desabafar, relaxar, esfriar a memória. Ele pode ser usado a qualquer hora e tira o enfado físico mental e espiritual, quando nasce um novo pensamento, uma ideia nova. O rapé é preparado com muito carinho, usando-se tabaco e cinzas de cascas de árvores, dentre elas o Tsunu, é usado para caçar e para tirar a “panema” (preguiça e má-sorte), na hora da cerimônia do Uni (Ayahuasca) as duas energias se unem e o Uni vem com mais luz, mais perfeito, profundo e esclarecedor.
Entre em contato para ver disponibilidade ou tempo de confecção para o envio.